Eixo temático 2026
- saladeleituraita4
- 9 de fev.
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A Coordenação de Sala de Leitura e Espaço de Leitura e Pesquisa atua na formação continuada de professores da rede municipal de Itaboraí, no que se refere às áreas de literatura e linguagens, bem como na formação dos demais profissionais da educação do município. Além dessa atribuição, desenvolve, de forma sistemática, com aos professores articuladores dos Espaços de Leitura e Pesquisa, dois eixos temáticos discutidos anualmente a partir do texto literário: a preservação ambiental e a educação antirracista.
Para além do cumprimento das Leis nº 10.639/2003 e nº 11.645/2008, bem como do atendimento ao tema transversal da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) relacionado às questões ambientais, parte-se do entendimento de que a vida no planeta está diretamente condicionada à construção de relações mais respeitosas, tanto entre os seres humanos quanto destes com a natureza.
Por integrar uma rede de ensino, os projetos desenvolvidos pela Coordenação articulam-se ao tema anual definido pela Secretaria Municipal de Educação (SEMED), que, no presente ano, incorporou, além da questão racial, a dimensão tecnológica, destacando a necessidade de preparar os estudantes para as relações contemporâneas com o mundo.
Falar em uma educação que tenha como foco a Educação digital e a antirracista, é falar em uma educação que se comprometa com os letramentos, no plural. Os multiletramentos, consolidado no Brasil por Roxane Rojo, expande a ideia tradicional de alfabetização para dar conta da complexidade do mundo contemporâneo.
Em resumo, ele se sustenta em dois pilares fundamentais:
1-Multiculturalidade: O reconhecimento de que vivemos em sociedades híbridas. O letramento deve abraçar a diversidade de culturas, linguagens e valores éticos, indo muito além do cânone literário tradicional.
2-Multimodalidade: A compreensão de que os textos hoje raramente são apenas verbais. Eles integram sons, imagens estáticas, vídeos, gestos e elementos espaciais (especialmente no ambiente digital).
A Essência do Conceito
Para Rojo, ser letrado hoje não é apenas saber ler e escrever textos em papel, mas ser capaz de produzir e criticar sentidos que circulam em diferentes mídias e culturas.
"Não se trata apenas de mudar a ferramenta (do papel para a tela), mas de entender que a própria forma de significar mudou, exigindo novas capacidades analíticas e críticas do sujeito."
Diferente do letramento clássico, o foco aqui é a pedagogia da diversidade e o protagonismo do aluno frente às novas tecnologias de informação e comunicação.
Articular os multiletramentos de Roxane Rojo com o letramento racial é, essencialmente, transformar a sala de aula em um espaço de desconstrução de hegemonias. Enquanto os multiletramentos nos dão as ferramentas (mídias e linguagens), a educação antirracista fornece o propósito crítico.
Aqui estes conceitos se fundem na prática de uma educação libertadora:
1. A Multiculturalidade como Antirracismo
Rojo enfatiza que o letramento deve ser "filiado" às culturas locais e de resistência. No contexto brasileiro:
Valorização de Saberes: Significa romper com o currículo eurocêntrico e trazer para o centro as produções intelectuais, artísticas e religiosas de matriz africana e indígena.
Voz e Agência: O estudante não é apenas um consumidor de cultura, mas um produtor que usa sua própria identidade cultural para criar novos sentidos.
2. A Multimodalidade na Desconstrução de Estereótipos
O letramento racial exige que saibamos "ler" o racismo em diferentes semioses. A multimodalidade permite:
Análise Crítica da Imagem: Decompor como o corpo negro é representado em peças publicitárias, memes ou livros didáticos (muitas vezes de forma subalternizada ou hipersexualizada).

Ao analisarmos esta imagem da "Evolução", percebemos que o resultado final da evolução é um homem e branco. Inconscientemente normalizamos a etnia branca. Quando se usa a nomeclatura "macaco" para agredir uma pessoa negra, está sendo deduzido que o negro ainda não é um homem sapiens, ou seja, não é humano. Esta é uma imagem que povoa o imaginário ocidental.
Produção de Contra-narrativas: Utilizar podcasts, vídeos (TikTok/Reels) e fanzines para narrar a história do Brasil sob a perspectiva da resistência negra, utilizando o design e o som como ferramentas de poder.
3. A Pedagogia Crítica e o Design de Futuros
Rojo bebe na fonte do Grupo de Nova York, que fala sobre o "Designer" de novos significados. Na educação antirracista, isso se traduz em:

A conexão fundamental: O letramento racial não é apenas um "tema" dentro dos multiletramentos; ele é a ética que orienta o uso das múltiplas linguagens para que a diversidade não seja apenas um conceito abstrato, mas uma prática de justiça social. Trabalhamos em uma cidade negra com alunos majoritariamente negros, entender o contexto social, entender nossa história é essencial se quisermos uma educação equitativa. Precisamos ler sobre o assunto, estudar.
Nesse cenário, a obra da autora homenageada Bárbara Carine é basilar para a edificação de uma pedagogia antirracista, seja por meio de sua produção bibliográfica ou de sua atuação nas redes sociais, onde utiliza a multimodalidade digital para desconstruir o racismo cotidiano. Complementarmente, a literatura de Otávio Júnior, outro homenageado, oferece contra-narrativas indispensáveis que rompem com o cânone tradicional. Caberá a escola escolher outro homenageado, lembramos que a inclusão de intelectuais indígenas expande esse horizonte, ao propor uma reflexão ontológica sobre a simbiose entre o ser humano e a Terra.
Essa dupla dimensão — as relações interpessoais e o vínculo com a natureza — constitui a síntese de nossos projetos coletivos. Tendo a literatura como fio condutor, iniciativas como o Projeto Coral Vivo e o projeto "Palavras que ecoam mudanças: literatura como prática antirracista" buscam mitigar a urgência das questões ambientais e raciais. Para tanto, mobilizamos as tecnologias em toda a sua extensão — da manualidade ao digital — como instrumentos para a construção de uma sociedade mais justa, saudável e igualitária.
Nos vídeos abaixo, podemos observar esta relação entre homem e planeta pela visão de Nego Bispo e Aílton Krenak.Podemos observar que a cosmologia dos povos originários e quilombolas tem muito a nos ensinar sobre a temática.
Segue abaixo, o projeto oficial da SEMED de Itaboraí sobre a Feira do Livro e o Projeto 2026
Fazem parte desta coordenação as professoras Heloisa de Souza, Rosane Rosane de Paiva Melo e Ana Paula Cruz.


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